Entre a filosofia do café e a filosofia do almoço, eu estava pensando sobre o interesse na vida alheia. "Fofoqueira", "bisbilhoteiro", "não fique cuidando da vida dos outros" são coisas que ouvimos nunca em um bom contexto.
Pois é. Geralmente o ponto final vem aqui, mas o que será que estamos fazendo quando lemos um romance? Uma notícia de celebridade?
É a mesma coisa, com pessoas que não conhecemos ou nem existem.
Por que nos interessamos em saber sobre algo que não está na nossa alçada de decisões?
Acredito que nossa vida não seja tão legal assim. Não fiquem putos, é sério. Acordamos, trabalhamos, dormimos. Saímos final de semana mas porra, isso tudo é muito programado. Onde está a loucura disso tudo?
Existe um pessoal que vive a vida. Escritores, rockstars, personagens fictícios ou reais. Certamente eles têm uma vida mais legal que a sua, a minha e a nossa.
Parece que tendemos a nos satisfazer dessa aura de imprevisibilidade e aventura, se não houvesse os personagens explorados pela indústria cultural não seria explorados - der.
Façamos a nossa vida mais legal, publiquemos nossos contos, aventuras, somos todos personagens em um grande livro chamado "vida". Todos temos um papel principal.
Se for "cuidar da vida dos outros", SÓ não prejudique o desfecho e o clímax daquele livro. Porque fofoqueiro e bisbilhoteiro todos somos, afinal, o que você está fazendo aqui?
sexta-feira, 26 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Abstrato
Depois de transarem, ela chega para ele e fala:
"você irá fazer um poema para mim agora?"
"Certamente que sim"
Responde o poeta sem titubear
"Então você me ama?"
Continua a amante
Com a mesma precisão de antes, responde
"Obviamente que não"
"Não entendi", diz ela
"Se te amasse não saberia o que escrever"
O escritor responde, vira para o lado e dorme.
"você irá fazer um poema para mim agora?"
"Certamente que sim"
Responde o poeta sem titubear
"Então você me ama?"
Continua a amante
Com a mesma precisão de antes, responde
"Obviamente que não"
"Não entendi", diz ela
"Se te amasse não saberia o que escrever"
O escritor responde, vira para o lado e dorme.
Não é por mal
Paulo tinha quase seus 50 anos
conheceu do mundo pouco mais que o litoral,
e no seu bairro, do asfalto, cada um dos buracos
Não há coração maior que o seu,
Pois ele sabe o melhor para o mundo todo
E para o seu bairro, nem se fala
O Paulo sabe, o Bira sabe, e o Jão diz que sabe tudo
Conhecem pouco mais que o litoral
E o coração é do tamanho do mundo.
conheceu do mundo pouco mais que o litoral,
e no seu bairro, do asfalto, cada um dos buracos
Não há coração maior que o seu,
Pois ele sabe o melhor para o mundo todo
E para o seu bairro, nem se fala
O Paulo sabe, o Bira sabe, e o Jão diz que sabe tudo
Conhecem pouco mais que o litoral
E o coração é do tamanho do mundo.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Oba, uma rima.
Tem dias que os versos não rimam
por maior a força que se faça eles não se entendem
não se encontram, sei lá
vontade de grudar eles
passar cola e juntar,
por mais que eles não se mereçam
deixa pra lá
um dia desses vi minha tia
ela me deu bom dia.
pera,
uma rima
por maior a força que se faça eles não se entendem
não se encontram, sei lá
vontade de grudar eles
passar cola e juntar,
por mais que eles não se mereçam
deixa pra lá
um dia desses vi minha tia
ela me deu bom dia.
pera,
uma rima
Estar certo é uma merda
Uma vez eu estive certo
não me lembro de muitos momentos.
talvez estivesse certo
mais umas duas ou três
Não gostei,
responsabilidade a troco de que?
Penso, paro, penso, paro.
Não pretendo estar certo outra vez
Teria que escrever outro poema
não me lembro de muitos momentos.
talvez estivesse certo
mais umas duas ou três
Não gostei,
responsabilidade a troco de que?
Penso, paro, penso, paro.
Não pretendo estar certo outra vez
Teria que escrever outro poema
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Sinaleiro
Vida de músico não é fácil.
Ali quando a Silva Jardim encontra a João Negrão eu parei.
Tinha acabado de fechar o sinal e veio um rapaz a jogar água no meu para-[brisa.
O vidro estava meio sujo mesmo, e eu iria pagá-lo pelo serviço.
Procurei rapidamente em volta, mas só havia restos de papel
até eu pegar a minha carteira, que, por sinal, estava cheia de restos de papel [também.
Nenhum desses papéis tinha cor de dinheiro, nem uma moeda, nada.
Mentira, tinha uma palheta.
Abaixei o vidro e mostrei para ele.
“Cara, só tenho uma palheta, foi mal”, eu disse.
O cara não entendeu, olhou pra mim e recusou.
“Tua humildade me paga”, respondeu.
Vida de músico não é fácil.
Na verdade, talvez aquele limpador tenha sentido como é ser músico por um [momento.
Enfim, a palheta continua comigo para mais músicas serem feitas,
o resto a humildade paga.
Ônibus
Eu já estava sentado lá no fim
e ler em movimento sempre me deixava enjoado
ela sentou na minha frente
minha cara branca devia tê-la espantado
Havia um lugar vago no meu lado
ela era difícil
eu odiava quando ela fingia não me ouvir
esgotava em pouco tempo meus artifícios
fiz-me de bobo
ela também
ficou quieta
eu ia lendo um artigo escrito por alguém
de repente paramos
ela desceu, eu fiquei
nem um "adeus", um "até logo"
foi o relacionamento mais fácil que terminei
Willian Costa
Por que esse tal de Hardcore?
Sem dinheiro e sem fama
De todas as coisas que nós poderíamos gostar, nós gostamos deste tal de Hardcore. Lembramos do nosso primeiro contato com ele, da primeira música, do primeiro show e do primeiro mosh. Dedicamos tempo e dinheiro a fundo perdido, acreditamos na mudança e na conscientização das pessoas. Cantamos em um coro enfurecido a ouvidos sem mais tímpanos, desgastados do som absurdamente alto. Ainda sim cantamos.
Ouvimos de pessoas algo do tipo, “porque que vocês ficam se batendo no meio do show?”, “essas letras de protestos não dão em nada”. E mais, quando se tem uma banda é comum ouvir, “ei, quando vão aparecer no Faustão?”, “já estão ganhando dinheiro com isso?”. Por que, me digam por que vocês ainda insistem em gostar desse tal de Hardcore?
Existe algo que não se pode medir. Há um sentimento intrínseco nessa batida rápida na caixa da bateria que nos une, algo que vai para além do material. É nesse lugar escuro e fechado, cercado de pessoas que mesmo desconhecidas se tornam íntimas naquele ritual de expurgar toda a raiva e o ódio que move corações, muda opiniões e derruba as construções de uma sociedade que precisa ser mudada. É lá que as ideias são manifestadas.
O objetivo nessa história é outro, muito mais importante do que chegar ao estrelato ou forrar os bolsos de dinheiro. Mas qual é então? É aquela pessoa que se divertiu no show, a outra que refletiu sobre a letra da canção, a menina que encontrou na música o correspondente ao seu sentimento e o individualista que pensou no coletivo e na sua postura como cidadão. É por isso que gostamos de Hardcore.
Quanto isso vale? Vale esse tal de Hardcore. Dinheiro e fama todos gostam, eu mesmo posso estar falando assim por não ter nem um nem outro. No entanto, de uma coisa eu tenho certeza, o Hardcore, esse tal de Hardcore que falamos, esse sim nunca pode e nem vai deixar de existir, nem pelo excesso nem pela escassez de dinheiro e fama.
De todas as coisas que nós poderíamos gostar, nós gostamos deste tal de Hardcore. Lembramos do nosso primeiro contato com ele, da primeira música, do primeiro show e do primeiro mosh. Dedicamos tempo e dinheiro a fundo perdido, acreditamos na mudança e na conscientização das pessoas. Cantamos em um coro enfurecido a ouvidos sem mais tímpanos, desgastados do som absurdamente alto. Ainda sim cantamos.
Ouvimos de pessoas algo do tipo, “porque que vocês ficam se batendo no meio do show?”, “essas letras de protestos não dão em nada”. E mais, quando se tem uma banda é comum ouvir, “ei, quando vão aparecer no Faustão?”, “já estão ganhando dinheiro com isso?”. Por que, me digam por que vocês ainda insistem em gostar desse tal de Hardcore?
Existe algo que não se pode medir. Há um sentimento intrínseco nessa batida rápida na caixa da bateria que nos une, algo que vai para além do material. É nesse lugar escuro e fechado, cercado de pessoas que mesmo desconhecidas se tornam íntimas naquele ritual de expurgar toda a raiva e o ódio que move corações, muda opiniões e derruba as construções de uma sociedade que precisa ser mudada. É lá que as ideias são manifestadas.
O objetivo nessa história é outro, muito mais importante do que chegar ao estrelato ou forrar os bolsos de dinheiro. Mas qual é então? É aquela pessoa que se divertiu no show, a outra que refletiu sobre a letra da canção, a menina que encontrou na música o correspondente ao seu sentimento e o individualista que pensou no coletivo e na sua postura como cidadão. É por isso que gostamos de Hardcore.
Quanto isso vale? Vale esse tal de Hardcore. Dinheiro e fama todos gostam, eu mesmo posso estar falando assim por não ter nem um nem outro. No entanto, de uma coisa eu tenho certeza, o Hardcore, esse tal de Hardcore que falamos, esse sim nunca pode e nem vai deixar de existir, nem pelo excesso nem pela escassez de dinheiro e fama.
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